Paróquia Nossa Senhora da Conceição - Porto Alegre, RS

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Formação

QUARESMA

“O Espírito Santo conduziu Jesus ao deserto, para lá ser tentado pelo diabo” (Mt 4,1).

Todo aquele que quer ser forte, precisa se fortalecer, se exercitar, se deixar treinar. A resiliência, a capacidade de se adaptar – e já disse um cientista famoso que não sobrevive o mais forte e o maior, mas sim aquele que se molda, que aprende a se adaptar – se adquire através de um profundo e persistente treinamento.
Alguém que não treina é flácido, é frágil, quebra, desaparece. A resiliência é a capacidade de se adaptar, de enfrentar os embates da vida, sem quebrar, não sem sofrimento, mas, sim, sem quebra, sem rachaduras.

São Paulo nos diz que a vida do cristão é um contínuo combate, um combate não somente contra coisas visíveis, mas também contra realidades invisíveis (Ef 6, 12 e 2Tm 4, 7-8), logo se o bom combate nós não combatermos nossa coroa de glória, de Ressurreição, não conquistaremos.

Iniciamos a quaresma, quarenta dias nos separam dos grandes acontecimentos salvíficos da Semana Santa. Para que aqueles gestos, atos, sangue, amor possam acessar e beneficiar o nosso interior é preciso prepararmos o terreno. É tempo de revolver as ervas daninhas, de endireitar o que está torto, de abandonar o que não é certo, de se propor a praticar as três “armas”, ferramentas, instrumentos que Jesus nos deixou: a oração, o jejum e a esmola ou caridade.

A oração: ela, seja mental, vocal, através de uma música ou leitura, mantém a oxigenação do nosso interior, do solo do coração, da consciência, da alma. Se eu rezo 5 minutos por dia, na quaresma sou desafiado a orar 10 minutos. Se chego na igreja para a missa faltando 3 minutos para iniciar, agora chegarei 15 minutos antes e ficarei em silêncio, olhando para o Sacrário, deixando Ele me olhar e olhando eu para Ele.

O jejum: ele é treinamento, é a prova de que não somos meramente animais, que não nos deixamos mover pelos instintos, mas sim pela razão. Tudo posso, na vida, mas nem tudo me convém (1Cor 6,12) nos diz São Paulo. Posso comer doce, mas se sou diabético, não me fará bem. Posso comer um churrasco bem gorduroso e salgado, mas se tenho pressão e colesterol altos, não me vai fazer bem. Posso comprar uma torta de chocolate, bem saborosa, e comê-la toda sozinho, mas provavelmente meu estomago e intestino irão reagir mal. Um xingamento no trânsito pode se transformar numa facada ou num tiro, tudo porque houve intransigência, falta de compreensão e paciência. A pressa da alta velocidade, ao invés de me fazer chegar mais cedo ao compromisso, pode me internar no Pronto Socorro ou no IML. Viu? Jejum diz de treinar os instintos, tu e eu somos instintivos, se não treinamos o autocontrole, nos selvagizamos e nos destruímos ou destruímos quem conosco convive. Tente se privar de algo, tente diminuir o que tanto gosta, tente sentir sua força interior pedindo algo e sua razão dizendo não. O jejum de Jesus nos diviniza, ou melhor, nos humaniza tanto que nos faz evoluir.

A esmola ou a caridade: é fruto de alguém que exercita o jejum e se sabe desprendido das coisas e das pessoas e pode ofertar algo de maneira livre e ao fazê-lo percebe que é ainda mais livre, pois não se prende. Quem faz o
exercício quaresmal de renunciar a algo que gosta muito: refrigerante, doce, celular, internet, passeio (veja não precisa retirar tudo, se não se consegue, se pode começar diminuindo algo), pode usar o dinheiro que gastaria com tais coisas para ajudar alguém que precisa. Quem faz
jejum de uma atividade, ou de ficar no celular, por exemplo, pode fazer a caridade de oferecer do seu tempo, tempo que sobrou para visitar alguém ou para estar com alguém que mora só, é idoso ou enfermo e oferecer da sua companhia ou até ajuda para sair, limpar, organizar.
Te animas a ti desafiar nesta quaresma?

Começamos este tempo afirmando que somos pó e ao pó haveremos de voltar, se não tivermos Deus em nossas vidas, só Ele é capaz de transformar nossa finitude em Luz, em Imortalidade, em Glória, em Ressurreição.

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