Paróquia Nossa Senhora da Conceição - Porto Alegre, RS

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Palavra do Pároco › 06/10/2019

Amar é cuidar

Como saber se realmente amo alguém ou se sou amado? Essa pergunta perpassa o nosso coração; deixa os noivos um tanto inseguros às vésperas de contrair o matrimônio. Será verdade que sou amado? Aquela pessoa que constantemente me diz “eu te amo” é sincera? Apesar de complexa e profunda, a resposta é clara: o amor só é amor quando se traduz em obras, em gestos e nós diríamos cuidado, ou melhor, as duas ações que são intrinsicamente decorrentes do amor são CONFIAR  e CUIDAR.

Quem ama cuida! O cuidado é a capacidade de se estar sintonizado com a pessoa amada e ter o desejo de protegê-la, acaricia-la, ouvi-la, dar-lhe atenção, cuidá-la e com ela simplesmente estar em todas as situações: alegria, tristeza, saúde, doença. Recentemente celebramos as bodas de ouro de um casal de paroquianos. Na entrevista a “noiva”, resumindo a vida de 50 anos juntos, nos dizia “padre, é que sem ele eu não consigo!”. Nós ficamos sem entender e mais uma vez ela repetiu a frase: “sem ele eu não consigo viver! ao longo desses 50 anos, eu saia correndo da escola para ir para casa com vontade e encontrá-lo, de contar do meu dia pra ele, ele é o amor da minha vida.” Uma belíssima declaração de amor. E o esposo, noivo nas bodas, dizia-me “padre, nestes anos eu sempre chegava mais cedo do trabalho, preparava o chimarrão e ficava aguardando ela. Quando chegava, sentávamos na sacada do nosso apartamento e ali ficávamos, tomando chimarrão com a expectativa de um ouvir o outro como tinha sido o dia, compartilhando daqueles momentos, enquanto contemplando o por o sol nós nos completávamos.

Que história linda! Como esse casal tem a ensinar para nós mais jovens, o amor é sim carregado de sentimento, mas não só, também de atitudes, de paciência, já dizia São Paulo “o amor tudo pode, tudo perdoa, tudo suporta, tudo espera, tudo motiva, sem ele nada seria, mesmo que tivesse toda a sabedoria e todo o dinheiro do mundo” (1Cor 13, 1ss). E nós diríamos de cuidado mútuo, diário de todos os dias ter a sensibilidade de me preocupar com a pessoa que amo, de procurar cuidá-la, pois é um tesouro que Deus me confiou e ao mesmo tempo uma aventura: o me deixar cuidar. Você já experimentou o cuidado na sua vida? Já cuidou de alguém? Parabéns! Então você sabe o que é o amor e porque ama e cuida, na mesma proporção confia, nada teme, não aprisiona, não intimida, pelo contrário, liberta e sabe que aquele coração já é seu e que o seu já tem dono.

Ninguém melhor do que Santa Teresinha do Menino Jesus, que celebramos no dia primeiro de outubro, entendeu que o amor está escondido e se expressa nos detalhes: são estes o combustível de uma relação que perdura no tempo ou os “cupins” que vão corroendo, enfraquecendo até derrubar uma relação. O constante de gestos de amor: preparar um café, levar uma lembrancinha, limpar a casa, lavar a louça, um jantar romântico, um perfume novo, assistir a um filme, passear, um abraço demorado que dinamizam e mantem viva uma relação. Doutra parte, o conjunto de pequenas grosserias, sujeitas, desarrumação, desvalorização do trabalho do outro, incapacidade de ouvir, de estar junto, os xingamentos que enfraquecem, esfriam e terminam uma relação.

Nossa paróquia nos recebe de portas abertas há 160 anos. Daqui, do alto da Avenida Independência, a Senhora da Conceição constantemente volve seu olhar sobre nós, nossos filhos, nossas correrias do dia a dia. Ela nos ama, por isso em nós pensa e de nós cuida. O que fazemos nós para o bem dela?

Neste um ano que chegamos a paroquia é visível o número crescente de pessoas nas missas, de crianças, jovens, idosos. Há um novo clima no ar! Ainda assim, o número de pessoas que cuidam da paróquia não cresceu: lideranças que participam dos grupos e de dizimistas.  Nós nos perguntamos: será que esse povo querido ainda não se sabe amado por Nossa Senhora? Será que ainda não sentem que está casa é sua também?

Recordo-me de quando recebi meu primeiro salário, com 15 anos fui trabalhar, a primeira coisa que fiz foi comprar um presente bem bonito pra minha mãe, queria tanto retribuir por tanto cuidado que ela tinha tido e ainda mantinha. O amor nos impele a cuidar, a agradar, o retribuir é automático.

Graças a Deus praticamente todos os nossos paroquianos ou tem a benção de um trabalho ou tem uma renda, por que será que ainda não fizeram a experiência de partilhar através do dízimo? Terão medo? Mesmo sendo o Dono de tudo, Deus confiou ao homem o cuidado da terra e dos seus recursos (Gênesis 1,28; 2,15). Os israelitas foram ensinados a adorar a Deus com o dízimo, ou seja, 10% de tudo o que se produzia. Abraão já tinha esse costume (Gênesis 14,18-20), que perdurou no Novo Testamento (Mateus 23,23; Hebreus 7,2). Além dos dízimos, as ofertas também são mencionadas (Êxodo 36,3; Deuteronômio 16,17, 1 Coríntios 16,2). Enquanto o dízimo aponta nossa fidelidade a Deus, as ofertas revelam nossa gratidão (2 Coríntios 9,5). O que temos e somos capazes de conquistar o fazemos porque Deus está conosco. Apesar da Escritura falar que todos os homens santos da Bíblia contribuíam com 10% do fruto do seu trabalho, a Igreja Católica não lhe cobra uma taxa, apenas te convida a fazer a experiência de confiar no Senhor e evidenciar na sua vida o como Ele retribuí abençoando os projetos, sonhos, empreendimentos.

Aqueles que já cuidam da nossa casa recebem todo o mês uma prestação de contas bem clara de todas as entradas e saídas e sabem o quanto o seu pouquinho é multiplicado e faz a diferença. Venha conosco, faça essa experiência, cuide e se deixe cuidar, confie e o Senhor te surpreenderá!

 

Pe. Fabiano Schwanck Colares.

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