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Notícias › 25/04/2019

Santa Sé: tutelar as crianças concebidas em estupros de guerra

O problema das crianças concebidas em estupros de guerra foi um dos temas abordados pelo observador permanente da Santa Sé na ONU, em Nova Iorque, dom Bernardito Auza, no debate que precedeu a votação do Conselho de Segurança das Nações Unidas que aprovou, na quarta-feira (24/04), a resolução contra o estupro como arma de guerra.

Participaram do debate o secretário-geral da ONU, António Guterres, e os prêmios Nobel da Paz, Nadia Murad, jovem yazida sequestrada e mantida refém pelo Estado Islâmico, e Denis Mutwege, médico da República Democrática do Congo, especializado no tratamento de mulheres vítimas de violência sexual.

Eliminado referência à “saúde reprodutiva”

A resolução 1325, aprovada com 13 votos a favor e duas abstenções, Rússia e China, foi inicialmente contestada pelos Estados Unidos porque continha referências para assistência à “saúde reprodutiva”, que envolvia o apoio a práticas abortivas. No texto final, aprovado após um duro debate, essa referência foi eliminada, junto com a parte relativa à criação de um novo mecanismo a fim de monitorar e assinalar tais atrocidades na guerra, devido à oposição dos Estados Unidos, China e Rússia.

Dom Auza: chega de impunidade para esses crimes

Dom Auza reiterou a condenação dessas “atrocidades inaceitáveis”, perpetradas por grupos armados, terroristas, mas também por Exércitos regulares, em alguns casos, militares enviados pelas Nações Unidas “para servir a nobre causa da paz e da segurança”. O silêncio e a impunidade em relação a esses crimes devem terminar e dar lugar à responsabilidade, justiça e reparação”, disse o representante da Santa Sé.

Respeitar os direitos dessas crianças

Em seu discurso, dom Auza chamou a atenção para o problema das crianças que são fruto de violência sexual nas áreas de conflito. “Os direitos humanos dessas crianças devem ser respeitados e garantidos, como para qualquer outra criança. Segundo a Santa Sé, essas vidas inocentes devem ser acolhidas, amadas, não estigmatizadas ou rejeitadas, e não deve ser negado a elas o direito de nascer.”

Ajudar as vítimas a encontrar esperança

Dom Auza concluiu o seu discurso, desejando que a atenção dada pela ONU a esse tema dramático, possa ajudar os sobreviventes e as vítimas a encontrar cura e esperança, e a criar mecanismos mais sólidos a fim de levar perante à Justiça quem cometeu tais violências”.

Via Vatican News

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